O que são as Deformidades Faciais?

São alterações nas proporções dos ossos da face maxila (superior) e mandíbula (inferior), acarretando em desoclusão (falta de encaixe entre os dentes superiores e inferiores).

 Antes da correção

Após a correção

Qual a maneira de corrigir estas Deformidades Faciais?

Após o final do crescimento ósseo (por volta dos 17 anos de idade), a deformidade está completamente instalada. A partir daí, somente uma proposta de tratamento que envolva a correção ortodôntica associada à correção cirúrgica é capaz de solucionar definitivamente a causa da deformidade.

Quais são os tipos principais de Deformidades Faciais?

As deformidades dento-faciais apresentam-se em dois tipos de classes principais, descritas na literatura científica, são elas:

MICROGNATISMO OU RETROGNATISMO

A mandíbula (parte inferior) é menor que a maxila (parte superior). Neste caso, tanto pode ter havido um pequeno crescimento horizontal da mandíbula (sentido ântero-posterior), quanto um grande crescimento da maxila no mesmo sentido.

Ambas as situações geram uma deformidade classificada como Classe II de Angle.

Tratamento: Pode haver decisão de alongar a mandíbula ou encurtar a maxila ou ambos os procedimentos simultaneamente, dependendo da gravidade caso. Cabe ressaltar que qualquer que seja a decisão, a abordagem cirúrgica é intra-oral, isto quer dizer que será dentro da boca, não deixando cicatrizes na pele.

MACROGNATISMO OU PROGNATISMO

A mandíbula (parte inferior) é maior que a maxila (parte superior). Neste caso, tanto pode ter havido um grande crescimento horizontal da mandíbula (sentido ântero-posterior), quanto um pequeno crescimento da maxila no mesmo sentido.

Ambas as situações geram uma deformidade classificada como Classe III de Angle.

Tratamento: Pode haver decisão de encurtar a mandíbula ou alongar a maxila ou ambos os procedimentos simultaneamente, dependendo da gravidade do caso. Cabe ressaltar que qualquer que seja a decisão, a abordagem cirúrgica é intra-oral, isto quer dizer que será dentro da boca, não deixando cicatrizes na pele.

Plano de saúde cobre este Tratamento? Nem sempre. Porém se o paciente possuir um Plano de Saúde é possível negociar para que o convênio faça a cobertura das despesas hospitalares necessárias para execução da cirurgia. Demais despesas são negociadas entre as partes.

MANUAL DO PACIENTE

INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA O PACIENTE QUE IRÁ SE SUBMETER À CIRURGIA ORTOGNÁTICA

O que é cirurgia ortognática? Analisando a origem da palavra, pode-se dizer que é a cirurgia que coloca a “boca reta” (gnatos: boca – orto: reta). Dessa forma, são todos aqueles procedimentos cirúrgicos que têm como finalidade proporcionarem a completa harmonia estética e funcional da face de um indivíduo. A cirurgia é realizada nos ossos maxilares (superior e/ou inferior).

Em que pacientes é indicada a cirurgia ortognática? A cirurgia ortognática está indicada naqueles pacientes que apresentam alterações nas proporções do esqueleto facial. Sempre que ocorrer muito crescimento ou pouco crescimento dos ossos maxilares, a harmonia desejada entre o maxilar superior e maxilar inferior não será a ideal, sendo, portanto, indicada a cirurgia ortognática. É fácil entender o motivo: os ossos maxilares são aqueles que alojam os dentes tanto superiores quanto inferiores. Caso o crescimento do osso maxilar seja intenso ou então que ele não desenvolva o suficiente, será inevitável a ocorrência de falta de encaixe entre os dentes superiores e inferiores. Dessa forma, o paciente não irá possuir uma mastigação adequada (alteração funcional) e também ocorrerá uma desarmonia na aparência da face (alteração estética).

Qual o motivo do aparecimento desta deformidade? Estes defeitos de crescimento dos ossos da face são também conhecidos como Deformidades dento-esqueléticas ou dento-faciais e apresentam características fundamentalmente hereditárias. Entretanto, componentes de comportamento como hábitos de chupar o bico ou dedo na infância, podem contribuir para o agravamento da deformidade naqueles pacientes que têm a herança genética.

Existe idade para se submeter a esta cirurgia? Pode-se dizer que não existe idade máxima, porém, existe idade mínima para que o paciente venha a se submeter a esta cirurgia. A idade mínima é determinada pela fase que coincide com a época de final de crescimento de cada indivíduo. Generalizando, poderíamos dizer que isto seria aos 16 anos nas mulheres e aos 17 anos de idade nos homens. Devem-se ponderar os procedimentos cirúrgicos nos pacientes muito idosos, levando em consideração cada caso. De forma ideal os procedimentos cirúrgicos devem ser realizados tão logo o paciente atinja a idade mínima, para que a sua recuperação seja a mais rápida possível.

Qual o motivo da idade mínima para a cirurgia? As deformidades dento-esqueléticas ou dento-faciais ocorrem nos ossos da face como dito anteriormente. Dessa forma, caso seja realizada em um paciente em crescimento, pode-se esperar que ocorra o reaparecimento do defeito ósseo. O motivo se justifica pelo fato de que o paciente continuará crescendo e se desenvolvendo juntamente com o comando do código genético do paciente que está determinado a manter uma relação de crescimento em desarmonia.

A exceção se faz naqueles casos extremos de deformidade onde o defeito ósseo incapacita o indivíduo de manter uma vida social digna, entretanto, é provável que o paciente deva ser submetido a duas cirurgias: uma na fase de crescimento para diminuir um pouco a gravidade do defeito ósseo e a outra após o término da fase de crescimento para corrigir em definitivo a deformidade.

Quando se verifica a ocorrência da deformidade? No momento em que começa a ocorrer a definição da dentição permanente (entre 11 e 13 anos de idade) é possível realizar uma avaliação detalhada juntamente com uma investigação clínica eficiente para se saber se o paciente é candidato a se submeter à cirurgia ortognática no futuro. 

Quais as complicações desta deformidade? O paciente que apresenta esta deformidade não consegue articular os dentes corretamente. Portanto, não possui uma boa oclusão (termo usado para designar o encaixe entre os dentes superiores e inferiores).

  1. Deficiência na Mastigação: Esta falta de oclusão proporciona uma grande diminuição do potencial mastigatório, pois os dentes não conseguem triturar os alimentos corretamente (complicação direta).
  2. Problemas no Sistema Digestivo: Como não consegue triturar bem os alimentos na boca, o paciente transmite o bolo alimentar para o estômago e intestino em condições inadequadas, o que gera dores de estômago e incapacidade de absorver as proteínas e vitaminas dos alimentos (complicação indireta).
  3. Dores Musculares: Esta deformidade gera alterações nas bases ósseas, entretanto, os músculos que estão inseridos nestes ossos também sofrem danos resultando em dores musculares (mialgias) e estiramento ou contração de toda a musculatura da face.
  4. Dores de Cabeça: A articulação da mandíbula como parte integrante deste conjunto (dentes, ossos e músculos) também irá apresentar-se deslocada trazendo como complicações os famosos “clicks” e estalidos na articulação. A principal consequência desta má posição da articulação da mandíbula são as dores de cabeça, distribuídas pela parte frontal e lateral da cabeça.
  5. Perda dos Dentes: Esta desta deformidade óssea provoca alteração de posicionamento dos dentes e como consequência uma falta de oclusão dentária. Os dentes começam a movimentar (inclinações dentárias para compensar o defeito ósseo) e com isso as inflamações gengivais e perdas ósseas aparecem com consequências destas inclinações que podem culminar com mobilidade dentária intensa até a perda daqueles elementos dentários mais afetados. É óbvio que estas complicações ocorrem com o tempo, entretanto, o paciente deve ser informado de que o bom relacionamento entre os dentes superiores e inferiores podem proporcionar a manutenção dos mesmos.
  6. Defeito Estético: Quando não existe um bom relacionamento entre o maxilar superior e o inferior espera-se também que o resultado desta desarmonia seja transportado para o lado externo da face trazendo como complicação um dano estético que será tão mais evidente quanto mais grave for a deformidade.

Nosso organismo é sábio? Quando o paciente apresenta esta deformidade os dentes não conseguem ter uma boa oclusão (encaixe entre os dentes superiores e inferiores). Acontece que o nosso organismo tenta minimizar esta incapacidade mastigatória e então os dentes começam a sofrer inclinações com a finalidade de mascarar o defeito ósseo (mecanismo de camuflagem). Entretanto, estas inclinações dentárias não resolvem o defeito ósseo e sim geram uma complicação dentária futura como descrito no tópico de perda de dentes.

Quais os pré-requisitos desta cirurgia? Um dos primeiros pré-requisitos desta cirurgia é fácil de entender. Como mencionado, os dentes sofrem inclinações compensatórias com a finalidade de mascarar o defeito ósseo. Dessa forma, a primeira medida que se torna imperativa é o emprego de medidas que visam a remover esta camuflagem dentária que o organismo realizou. Em seguida, a sequência dos passos descritos irá definir o sucesso de todo o procedimento cirúrgico e também da qualidade dos resultados obtidos.

  1. Aparelho Ortodôntico: Portanto, a montagem de aparelho ortodôntico fixo é imprescindível para o preparo desta cirurgia. Esta montagem deve ser precedida de um planejamento conjunto entre ortodontista e cirurgião para que ambos possam propor um plano de metas a ser atingido. A partir daí, o ortodontista inicia a montagem da aparelhagem ortodôntica. É o que chamamos de ortodontia pré-operatória.
  2. Planejamento Cirúrgico: O cirurgião deve estar de posse de uma documentação do paciente e também deve estar acompanhando de perto esta fase da ortodontia pré-operatória para discutir com o ortodontista os movimentos dentários que podem proporcionar uma melhor posição dos dentes nos arcos maxilares e consequentemente uma técnica cirúrgica adequada e com menor margem de riscos para o paciente.
  3. Dentes Sisos: Os terceiros molares ou dentes sisos, quando presentes e não aproveitados pela ortodontia, devem ser removidos com 04 meses, no mínimo, de antecedência da cirurgia. Não se deve realizar a sua remoção junto com a cirurgia ortognática em função de poder aumentar os riscos da técnica e trazer complicações durante a cirurgia ortognática. Esta cirurgia de remoção dos dentes sisos deve, preferencialmente, também ser realizada pelo cirurgião que irá realizar a cirurgia ortognática. A área da remoção dos dentes sisos é a mesma área da realização da cirurgia ortognática, portanto, o compromisso de se manter a região adequadamente preparada deve ser do mesmo profissional.
  4. Encaminhamento do Ortodontista para o Cirurgião: Quando o ortodontista define que o preparo ortodôntico está em condições ideais, uma nova moldagem dos dentes superiores e inferiores devem ser realizadas e encaminhadas para o cirurgião juntamente com o paciente. Esta avaliação dos modelos pelo cirurgião é fundamental para a definição final da cirurgia.
  5. Harmonia entre Profissionais: Esta cirurgia é uma das raras cirurgias realizadas no organismo que depende de tantos passos preparatórios, além de envolver diretamente dois profissionais neste preparo. Dessa forma, é imperativo que exista harmonia entre estes profissionais para o bem do paciente que irá obter um resultado dentro deste planejamento conjunto considerado ideal.
  6. Solicitação de Exames Pré-Operatórios: O cirurgião deve solicitar os exames pré-operatórios do paciente, incluindo o risco cirúrgico que deve ser realizado pelo médico (cardiologista). Caso haja uma liberação do Risco cirúrgico pelo médico, o cirurgião poderá então marcar a cirurgia. Caso o paciente não apresente condições orgânicas ideais, a cirurgia deve ser cancelada.
  7. Preparo Psicológico: Muitas pessoas consideram este aspecto sem importância ou até fútil. Entretanto, eu considero este aspecto um dos passos preparatórios que, somados aos anteriores, podem definir o sucesso da cirurgia.

Em minha opinião, o nosso sistema orgânico sofre grandes influências do nosso sistema emocional. O paciente candidato a se submeter à esta cirurgia deve estar preparado também sob o ponto de vista psicológico, ciente de todas as mudanças que irão ocorrer em sua vida durante o período preparatório e também durante a fase cirúrgica propriamente dita. O paciente não deve sofrer pressões de familiares ou amigos. A intenção da cirurgia deve partir do próprio paciente, assim como a data da cirurgia deve ser agendada de acordo com as conveniências do paciente e do profissional. Quando se quer muito um determinado objetivo, o caminho se torna mais curto e mesmo que haja empecilhos, estes serão superados com mais designação.

Onde é realizada a cirurgia? Por se tratar de um procedimento cirúrgico de grande porte, deve ser realizada em ambiente hospitalar adequado sob anestesia geral. A escolha do hospital deve ser feita juntamente com o cirurgião que irá proporcionar opções de acordo com critérios específicos.

Qual o tempo de internação? Isto depende fundamentalmente das condições de cada paciente, mas como regra geral, são procedimentos cirúrgicos que demandam apenas 01 (um) dia de internação, ou seja, o paciente interna no dia da cirurgia e no dia seguinte deve estar recebendo alta hospitalar. Em situações raras e especiais, o paciente pode ficar mais de 01 (um) dia internado. 

Quais as precauções que o paciente deve ter? Trata-se de um procedimento complexo, envolvendo várias etapas preparatórias embasadas em planejamentos específicos que irão definir o sucesso do caso. Dessa forma, o paciente deve estar atento na escolha destes profissionais. Não leve em consideração falsas promessas ou em programas de computador que lhe mostra como você irá ficar após a cirurgia. A ciência humana não é exata e, portanto, não pode ser traçada ou definida por máquinas. Quem vai realizar a sua cirurgia é um ser humano e não uma máquina. Observe referências do profissional. Converse antes e veja se você se sente seguro com as informações propostas por ele.

A indicação é uma importante arma desta escolha, pois quando é feita por outro profissional é prova de que este profissional conhece o seu cirurgião e quando a indicação vem de um paciente é sinal de que o paciente conhece os trabalhos já realizados por este cirurgião. E mais importante de tudo, não se deixe levar somente pelo aspecto financeiro. Sabemos que ele é importante, entretanto, não pode em hipótese alguma definir a escolha dos profissionais.

ESTÉTICA FACIAL

O equilíbrio e a harmonia da face e de suas ações determinam a personalidade e a aparência e uma pessoa, além de permitir uma melhor qualidade de vida. Os traumatismos e as deformidades faciais podem alterar esta harmonia. Fratura dos ossos da face, ausência de dentes ou dentes retidos, lesões tumorais, alterações congênitas (queixo grande ou pequeno) são exemplos de problemas que podem quebrar este equilíbrio facial, alterando a identidade pessoal de cada um. Para corrigir tudo isto existe o profissional especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, realizando procedimentos cirúrgicos em toda cavidade bucal e em várias áreas da face. Uma especialidade odontológica registrada e reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia.

A cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial é uma alternativa que traz grandes benefícios para os pacientes que são indicados a ela, pois, além de proporcionar o restabelecimento da função mastigatória, da fonética, da respiração e da estética facial, eleva também a autoestima dos pacientes que muitas vezes se sentem inferiorizados mediante o conceito comum de beleza e saúde bucal. Na maioria dos casos a recuperação é rápida, levando em consideração os cuidados do paciente com a sua higiene bucal, além do acompanhamento sistemático pelo profissional durante todas as faces do processo.

Não faz muito tempo que a reabilitação dos dentes perdidos ficava restritos a procedimentos de próteses dentárias totais “dentadura” ou outros tipos de reabilitações parciais. A busca de inovações técnicas e o aperfeiçoamento no campo da odontologia sofreu profundas revoluções levando aos pacientes, maiores expectativas no sentido de ganho de qualidade de vida funcional “mastigatório” e estético.

Com o avanço da implantodontia nas duas últimas décadas, um novo sentido de terapêutica protético- cirúrgica iniciou-se, sendo pouco frequente nos dias atuais, um clínico que não atue com implantes ou que não tenha conhecimento para indicar sua utilização. A literatura é vasta quando o assunto é reabilitação com implantes, sendo que sua aplicação clínica apresenta grande sucesso não apenas na área convencional “intra-oral”, sendo utilizado até mesmo na fixação de próteses extra- bucais (pacientes com perdas faciais ontológicas, restauração de anatomia congênita ausente “fissurados palatinos”, ancoragem ortodôntica entre diversas outras finalidades). Atualmente, o cirurgião- dentista tem muitas opções de marcas e sistemas de implantes no mercado odontológico para sua utilização, sendo que apenas nos EUA existiam em meados de 1994, cerca de 50 sistemas com aprovação da FDA, sendo que esse número supera os 200 no mundo todo. A escolha das marcas e sistemas de implantes depende da melhor afinidade e adaptação do profissional, sendo que não é o objetivo deste artigo discutir uma ou outra marca no mercado. No que diz respeito ao tratamento, deve-se ter a ideia que podemos dividi-las em duas fases propriamente ditas:

1) Fase cirúrgica: onde é realizada a confecção do sítio receptor do implante e sua instalação, com período de cicatrização variável para mandíbula e maxila, respectivamente 3 a 4 meses, 5 a 6 meses.

2) Fase protética: onde é realizada a confecção de prótese sobre o implante instalado, que pode variar em até 30 dias quando seguidos as fases laboratoriais, podendo reduzir esse período de acordo com cada profissional.

Existe também a opção de implantes de carga imediata onde é confeccionada a prótese em até 24 horas após a cirurgia, podendo variar em 72 horas quando instalados de 2 a mais implantes. Os critérios de indicação de implante com carga imediata dependerá da avaliação individual do profissional. Consulta ao cirurgião- dentista é necessária para a realização de pedidos de exames de imagem aliados ao exame físico e complementares de rotina cirúrgica, para então determinar a indicação dos implantes. Muitas vezes pode ser necessário a utilização de enxertos ósseos pela deficiência de altura ou espessura no local onde outrora existia um elemento dentário. Com base nessas informações, procurei demonstrar alguns tópicos de interesse na utilização do implante como método de reabilitação estética-funcional alternativo as próteses convencionais “dentaduras”.